sobre voar

às vezes, sinto que o tempo para quando encontramos razões pra respirar.

no infinito do abraço, na eternidade do sorriso, nas entrelinhas do olhar. são nestes instantes que descubro que o tempo, na verdade, é atemporal.

fez morada em mim.

é que eu tenho mania de transformar em lar tudo o que me acolhe. os pássaros que cantam, as borboletas que voam, as árvores que transbordam paz. chamo tudo isso de casa. é poesia.

poesia que chega e que faz de qualquer segundo o infinito perfeito pra ser eternizado em palavras. a verdade é que, pra mim, palavras são eternas. elas são o tempo. e ele se torna atemporal, daí.

através das reticências, desejo que a gente se eternize por meio das histórias que temos pra contar. e desejo que a gente conte cada uma, cada dia mais, sempre manifestando o que temos, sempre respirando os nossos minutos, sempre acolhendo aquilo que chamamos de lar.

o tempo é o nosso lar.

ele é agora.

a gente, também.

que, todos os dias, a gente escreva as horas do relógio que queremos tanto morar. juntos, somos tudo o que temos. que a gente, apesar de tudo, sempre lembre de respirar.

é assim que o tempo para pra nos ajudar a viver, é assim que o tempo nos mostra o nosso poder, é assim, e talvez aqui seja a parte mais importante, é assim que o tempo nos conta que somos nós que o escrevemos. a palavra é nossa. e é assim que a gente aprende a voar.

abra as asas, meu bem. tudo acontece no tempo certo. e a vida, querido tempo, ela sempre está.

a vida sempre está.

bora voar.

amor, cacá

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