carência

eu te soletrei uns 30 versos pra te fazer enxergar, eu coloquei um por um na minha alma pra, dela, eu te tocar.

te fiz um girassol, te esculpi nossa moldura, te pintei um quadro pra nele eu te querer. te quis no meu poder. pude perceber a falta que fazia os 29 versos que não lia, li mais de um milhão pra te entender, te entendi pra, agora, te dizer: era pra ser. eu fui e continuo aqui, sendo, tudo pra te olhar, tudo pra te sentir mais e mais a cada instante, tudo pra fazer do tempo a nossa forma mais bonita de se apaixonar, tudo pra todo dia te amar. será que dá?

eu te coloquei num pote, sabe, te criei aos poucos, me perdi no que não tinha pra te ter depois. eu te queria sem pensar, mesmo, e foi por isso que, num dia feliz, imaginei nós dois crescendo, nossa casa existindo, nossas viagens tomando forma nas nossas juras de amor. te jurei amor eterno, daí. e sei que a cada segundo tudo bate, pula, tenta, sai, volta e fica. como nos 30 versos, entende? em qualquer lado, cê sempre vai ter lugar. espero que seja ao meu, pelo menos em um.

te escrevi pra te fazer entender, te verbalizei pra te fazer sonhar, te sonhei pra, em qualquer palavra, te encontrar. te encontrei. e nosso encontro foi além, atravessou as galáxias, fez das estrelas nossa zona de conforto pra na lua soletrar um dos versos que fiz pra te viver. te vivi tão quanto você me viveu. deu.

e só.

nosso amor foi daqueles que se apagam com o tempo. acontecem, mas não são fixados no infinito. talvez eu tenha te soletrado os versos errados, talvez, e este é o mais provável, eu tenha te criado só pra mim.

o mundo não entenderia se você partisse sem me machucar. a verdade é que eu, por mais que negue minha carência, ainda tento te reinventar.

amor,
Caca