gritos do mundo

é um tempo difícil pra quem escreve.

é que a gente vê o mundo da nossa maneira, né? e aí as crenças surgem, as desconfianças se fazem nas dúvidas, a imaginação cria o que os olhos enxergam no invisível, o universo se transforma em capítulos e o coração se firma nos parágrafos. tudo foge do nosso controle. sem saber, a gente junta linhas e mais linhas pra dar sentido, a gente procura sentido em lugares que as mentes mais exatas não encontram razão. a gente sente o vazio pra, dele, silenciar os lugares mais barulhentos, remexer as misturas mais vivas, mostrar as marcas e os sorrisos mais sinceros. aqui, a voz que soa é a da escrita. e permanece.

nosso silêncio é preenchido pelas falas não ditas do cotidiano. a gente tenta, faz, consegue e se expressa por mil. ao lado, cabe tudo e mais um pouco, cabe um mundo de coisas bonitas, cabe lágrimas e mais lágrimas de saudade, cabe parágrafos de flores, de dores, de amores. cabe, mesmo sem perceber, o universo, e a gente se aquieta ao não tentar, a gente se aprimora ao observar, a gente é feliz ao escrever. e escrever, escrever, escrever…

no nosso silêncio, surgem gritos de carinho, expressões tão empáticas quanto o olhar, abraços maravilhados recheados de solidariedade. a gente se solidariza com o que não é nosso pra, no papel ou na tela, se tornar mundial. nossos capítulos são as nossas maneiras mais sinceras de dizer o indizível, e talvez seja por isso que, ao silenciar os dias, a gente entenda a mente, sinta o coração e escreva; escreva pra, sobretudo, caminhar e continuar nesta estrada louca de quem compreende o sussurro da vida.

daqui, do silêncio que escrevo e sinto, vejo o que quase ninguém vê. a razão é óbvia: minha escrita é universal. o que vem de mim é o que algumas pessoas precisam pra seguir, é o que dá voz ao aprendizado, é o que os grupos entendem sem pensar – porque, assim, eles sentem pra compartilhar. tá estampado.

tá nas entrelinhas, tá dentro de mim, tá silenciado dentro de mim. tá na poesia dos instantes, na dança das horas, no canto dos pássaros. tá na estrada da verdade, no momento de paz, na estrutura da vida. tá nos poemas diários, nos versos mais bonitos, nas coisas mais lindas que, de tão especiais, tornam-se perfeitas nos parágrafos seguintes. tá em mim, tá em você, tá na gente.

tá no amor.

e a gente só precisa acreditar, sabe? meu silêncio mais o seu podem conquistar o mundo. será que, um dia, vão me ouvir falar, sorrir, amar, olhar, sentir e viajar nas entrelinhas? será que um dia meu silêncio se tornará atemporal?

todos os gritos do mundo cabem no meu silêncio. é um tempo difícil pra quem escreve, daí.

conseguem ler?

amor,
Caca

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