voar

daqueles dias como outros quaisquer: cinzentos, mas recheados de cores; coloridos, mas recheados de cinzas.

levantar depois de algumas doses de whiskey é dose, né? e a cabeça gira, treme, escuta. a gente escuta o que quer e, às vezes, deixa de escutar pra, depois, lembrar. a gente lembra sem pensar. será que dá pra deixar pra lá? sei lá, queria voar.

levantei sem fim, enfim. fiz umas rimas, escutei umas músicas, escrevi uns versos e consegui. tomei banho, café, água. botei a roupa pra seguir. daí, caminhei. cheguei.

alô?! alguém por aí? eram umas vozes meio doidas, uns pensamentos estranhos que me acolheram sem razão. por que será que a gente sempre tenta explicar o que pra vida não tem explicação? vou parar com as rimas, juro. só me deixa continuar, por favor. será que dá?

escuta, me deixa falar. dois biscoitos. dieta, sabe, daqueles sem gosto que, de tanto comer, a gente se acostuma. não sei lidar com isso do corpo perfeito: choro, tento, como. me arrependo. faço dieta. como de novo. e há 23 anos vivo assim. what a coisa. ei, presta atenção em mim!

luzes passando: caminho de casa. Nando Reis tocando na rádio. que luz dos olhos, hein, Nando? queria que o mundo pudesse ouvir comigo – ou sem mim, quem sabe. só queria que qualquer pessoa entrasse na minha sintonia. quem diria, quem diria… psiu! espera, deixa pra mais tarde. guarda aí que já já alguém espia.

janta pronta, cabelo bagunçado, cama arrumada. amiga, que horas você vai? 22h? acho que vou chegar 23h, então. tô meio cansada, preciso dormir um pouco. tá bom! até, inté. é.

uns ventos batendo na cara, um coração acelerado, um batom vermelho na boca. eita. nossa, tô bem feia. que se dane? que-se-dane. oxi!

abraços, sorrisos, olhares. trocas. respostas?

sei não. não entendi muito bem. eu só queria. e lembrei daquela coisa de não lembrar. quem sabe assim, sem querer, a gente consiga não pensar. “deixa rolar”. tá. vou deixar. mas… será?

rolou. sorri. tô aqui.

escrevi.

daqueles dias como outros quaisquer: cinzentos, mas recheados de cores. coloridos, mas recheados de cinzas. ué… o cinza não é uma cor?

a verdade é que não importa o dia, o tempo, a cor. são os instantes. são os minutos da timidez, os segundos do nervosismo, os milésimos da ausência. são os suores contatos a cada gota, as letras cantadas a cada canção, os cílios perdidos a cada olhar. são os detalhes.

somos detalhes;
com eles, somos instantes.

…que cada dia seja como aquele, e que cada dose de whiskey acorde no dia seguinte como acordou no dia em que te vivi.

(estamos aqui!)

tá pronto pra voar daí?

amor,
Caca

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