resista

“Se você virar gay, será o maior desgosto que eu terei na vida. Eu vou me afundar na depressão e a culpa pela minha destruição será sua.”

Essa é uma frase que provavelmente você não ouviu dos seus pais quando criança. Pois é… eu ouvi. E muitas vezes.

Quando era criança não tinha noção do que seria o beijo, a atração, a sexualidade… não tinha noção do que era o amor. Eu apenas amava. Pais, irmãos e irmãs, amigos e amigas. Todos são pessoas como eu e apenas amava. Mas desde cedo, sem ter o discernimento desses assuntos, sofria repressões por ser mais afeminado e ter tendências a virar viado.

O tempo passou e eu me controlava cada vez mais a estar dentro do padrão imposto não apenas pelos meus pais, mas professores, amigos e desconhecidos. A cada deslize era um incêndio novo que atormentava a minha mente e me fazia chorar a noite trancado no banheiro para ninguém ouvir. Eu ainda não chegava aos 10 anos, quando eu já estava saturado dessas situações e me culpava por isso.

Você se sentia, quando criança, constantemente triste por ser o motivo de tristeza dos seus pais? Isso era rotina para mim.

Dançava e não entendia os olhares, imitava os personagens de televisão e não entendia a bronca, não gostava de futebol e não entendia o espanto.

Passar por isso é difícil. Passar por isso quando você ainda não sabe o porquê, é pior ainda.

Acabei me fechando para o mundo. Tinha poucos amigos, não saía, não conversava com meus pais, não me apaixonava por ninguém. Eu me matava aos poucos.

Na adolescência comecei a sentir algo estranho por pessoas do mesmo gênero. Tranquei esse sentimento no meu subconsciente.

Não ficava com mulheres. Não ficava com homens.

Passei minha adolescência assexuado, aumentando cada vez mais os episódios de choro antes de dormir, automutilação e tortura psicológica.

Fui levado a uma clínica psiquiátrica para ser curado de algum problema desconhecido por ser diferente da expectativa que tinham em mim.

Me forcei a ficar com mulheres.

Entrei para a faculdade, mudei de cidade, fui morar sozinho e ver como é a vida fora da asa dos protetores.

Fui ameaçado por outros estudantes, humilhado por mais alguns e xingado na rua por estranhos por ter tendências de ser viado enrustido. Nessa fase eu percebi que não tinha potencial para virar viado. Eu já era sem ser. Permaneci trancado em mim, usando a máscara social do rapaz divertido e sempre alegre.

O processo de entender quem você é não é fácil. Não é raso. Não é simples. Você precisa adentrar o mais profundo da sua mente e refletir dia e noite sobre seus ideais para conseguir começar essa jornada.

Não consegui ter controle por total nesse processo. Abri o quadro de Depressão e Síndrome do Pânico. Não foi fácil. Ainda não é fácil.

Tentei me distanciar de mim e agir com a lógica. Busquei os argumentos e fui estudar sobre os dois pontos de vista: a homossexualidade e o homossexualismo.

Demorou para conseguir entender o que se passava na minha cabeça, confesso. Tive que desconstruir um mundo criado e concretizado no meu subconsciente sobre a ideia do certo e errado impostos a mim e criar o meu próprio julgamento. Percebi que, na verdade, o melhor era o “talvez” e tentar ver o mundo sob as duas perspectivas do assunto pra entendê-lo como um todo e ter opinião própria, mas não a verdade absoluta.

Aprendi muito e cheguei à conclusão que eu não era doente. Me fizeram ser doente. Doente em tentar repreender quem eu era, em me auto-sabotar quando era feliz pelo simples fato de ser, em me mutilar física e psicologicamente por não cumprir com as expectativas de terceiros.

Foi aos poucos que eu descobri que não se vira viado.

Eu não virei viado.

Eu sempre, desde antes saber o que era o mundo, fui viado.

E a única coisa que poderia ter sido curada era a falta de informação e empatia das pessoas por imporem numa criança perdida, o egocentrismo da verdade própria.

You Know Who


You Know Who é uma pessoa maravilhosa.

é daquelas que a gente quer ter por perto, é daquelas que a gente abraça e não quer mais soltar. é amor, sabe, puro amor, e transborda amor por onde passa.

hoje, dei espaço no meu site pro You Know Who falar; porque, dentre tantas tristezas que há no mundo, uma é a de You Know Who não ter voz – na sociedade, na lei, nos dias.

leiam, se emocionem e vibrem por You Know Who existir. é mágico, é doce, é real. é ser. You Know Who é. e, agora e sempre, brilha por estar aqui.

amor,
Caca 💛

 

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