imensidão

aos poucos a gente vai deletando aquela memória que é nossa e não pertence mais a lugar nenhum.

aos poucos a gente vai esquecendo do que não faz mais parte, do que não mais completa os nossos dias de ócio, do que não preenche mais os nossos momentos de solidão.

aos poucos, e aqui eu falo de pouquinho em pouquinho mesmo, a gente vai deixando as coisas brotarem, circularem, evaporarem. o ar leva o que a água deixa ir, e talvez essa seja a razão mais bonita da terra libertar algumas raízes pro sol queimar. a natureza tá ao nosso lado e, aos poucos, ela mostra o seu abraço.

aos poucos a gente vai vivendo e entendendo que tudo acontece por um motivo, que o vento que bate na nossa pele é consequência de todo o esforço que o universo faz pra nos lembrar que dá. e dá, meu bem, sempre dá.

às vezes, quando a ansiedade chega, a gente deixa o pouco de lado pra pensar no muito, no eu-quero-agora. e aí a gente pensa tanto que, nos espaços de tempo, a gente esquece de aproveitar os instantes, as árvores, a vida. e, aos poucos, a gente torna isso rotina, deixando que a falta e o excesso se tornem prioridade. acredito que, de pouco em pouco e com a ajuda necessária, a gente vai entendendo como o nosso corpo funciona pra, todos os dias, a gente fazer, da nossa alma, um lugar bom pra voltar, continuar, ficar.

a gente permanece porque a gente acredita que consegue, só que a gente se esquece. mas, de pedaço em pedaço, libertando as memórias que aqui não mais pertencem, a gente vai lembrando de celebrar os minutos e, essencialmente, a gente.

aos poucos a gente vai se lembrando de viver a gente. e que bom, né? que bom.

eu espero que você se celebre sempre. e que, quando você achar que precisa de mais, você se lembre do que você já tem. porque você já possui o que precisa.

e, aos poucos, você vai entender que não te falta nada quando se já é tudo.

memoriza isso, tá?

amor, cacá

novembro

eu num sei muito bem o que te falar, novembro, só sei que, de você, eu espero cura.

e aqui eu não falo pra você curar todas as dores do mundo, não, eu falo pra você desacelerar pra perceber, desafiar pra colher, mergulhar pra entender, enfim.

eu espero que você amplie a mente das pessoas e que ilumine cada coração existente. espero que a gente caminhe junto, que você me mostre o passo certo a seguir, que a sua ajuda mais a minha faça, do mundo, um lugar melhor. eu espero que o mundo se torne melhor, mesmo, e que, a cada segundo, a gente entenda mais e mais o que é estar aqui; porque é lindo demais estar aqui, novembro, e, por mais que a gente se esqueça, é necessário lembrar. e eu espero que a gente lembre sempre da razão que faz tudo acontecer, que faz tudo brilhar, que faz tudo existir: o amor.

o amor que pulsa, que vibra, que sonha. o amor que acontece em todo lugar, em todo universo, em todos os planos. o amor que faz a gente gritar, viver, contemplar, o amor que faz a gente entender, falar, escrever, o amor que faz a gente conversar, multiplicar, transbordar, o amor que faz a gente se curar, daí. e mais, muito mais.

eu espero que você nos ajude a perceber o nosso amor. e que, por meio dele, a gente acredite, a gente consiga, a gente faça acontecer. e que a cura, essa coisa bonita, venha pra nos lembrar que dá, que dá pra sorrir depois de chorar, que dá pra renascer depois de ver a última pétala de flor cair. nossa cura vem de dentro.

e eu espero, novembro, que você, apesar de tudo, não se esqueça de, também, se amar pra se curar.

 pode contar comigo, tá?

amor, cacá

um sinal

talvez você esteja precisando ler isto aqui, eu não sei, só sei que senti um chamado pra dizer: calma. vai passar.

pode parecer difícil agora e você pode achar que a dor nunca vai sair de dentro do seu peito, mas, ó, paciência. ela vai embora, tenta acreditar.

tenta ser mais paciente com você, com os seus processos de cura, com o que vem e vai e, às vezes, não cicatriza. tenta ouvir as suas cicatrizes, tenta entender o que elas têm a dizer, tenta acolher os aprendizados que elas trazem e que tão em você. tenta acreditar no tempo, na dança do relógio, nos instantes que batem, que ficam, que são infinitos. tenta acreditar no seu infinito, daí, pra você perceber que não importa onde e quando, o que importa é que vai acontecer. e você precisa confiar, mesmo. confia!

olha, eu não sei muito bem por que tô falando tudo isso, só sei que você precisa confiar em você. e você sabe que precisa arriscar, também.

então, vai, arrisca! vai lá, coloca aquela roupa que você gosta, toma aquele café gostoso, sente a sua energia pra viver mais um dia. e vive, vive muito, vive sempre.

vai naquele lugar que você tanto quer ir, curte aquela música que você tanto gosta, insiste em aproveitar a sua companhia. porque a sua companhia é linda demais pra ser deixada pra trás; e, se a gente não aproveitar, quem é que vai?

coragem, meu bem, coragem! e calma, paciência, tranquilidade. tudo vai acontecer no tempo que tiver que acontecer e, por mais que isso te cause ansiedade, é só mais uma lembrança de que as coisas tão fluindo, tão existindo, tão indo. e a gente continua aqui, caminhando, com a certeza do nosso propósito, com a coragem que a gente precisa pra enfrentar todos os problemas com força, paz e harmonia.

tenta sentir a sua harmonia. e aí deixa levar, deixa ir, deixa viver. deixa ser você! e seja, né? seja você, sempre, a cada segundo mais.

você vai perceber que, na verdade, não importa tanto o final, e sim a estrada, o caminho, o processo. cada passo, cada sorriso, cada cura. é tudo o que existe agora. e é este o sinal, esse aqui que falo neste instante, que você tava esperando pra seguir. pode ir. já tá dando certo.

segue! vai fundo! acredita! se agarra na sua esperança, faz desse momento o seu sustento, se cria na sua luz. e brilha, brilha muito, brilha sempre, brilha, brilha, brilha.

você é capaz de brilhar em todo lugar. calma, tá?

amor, cacá

playlist

coloquei o fone, encarei mais uma hora de estrada e me deixei levar pelas palavras que saltavam da melodia e que em mim faziam poesia. eu senti.

senti a rima da canção ou, talvez, senti o que o cantor escreveu ao rimar. é que a gente nunca sabe ao certo o que é da gente ou o que é do outro ao se deixar levar pela música, mas, ainda assim, eu senti. e percebi que muita gente deixa pra lá essa coisa de se entregar pro instante, pro agora, pro presente. e nisso eu me incluo, viu, porque, se tem uma coisa que eu não consigo resolver depois do segundo que bate e que fica, essa coisa é ansiedade. mas, enfim, isso é papo pra outro texto.

falando em papo, sinto que bati uns papos com as estrofes que ouvi, com as notas que pesquei, com a letra que, ali, me tocou. sinto que fui além, além daqui, e trouxe pro meu momento uma percepção de liberdade, quase a mesma que eu sinto ao escrever. e foi aí que eu entendi. eu tava vivendo aquele instante, profunda e intensamente aquele instante, e nada poderia me tirar dali.

cantei, dancei, me esforcei pra me entregar por inteira a um minuto que era meu, só meu. porque a gente tem a mania de não viver os nossos minutos, e dessa vez eu quis. eu quis dançar sem me importar com o que as pessoas iriam achar naquele vagão apertado, eu quis cantar sem som pra entender melhor a razão das coisas, eu quis viver o presente pra sentir o meu agora. e eu consegui. e foi tão lindo… a gente deixa de viver muita coisa ao não se permitir. e eu me permiti sentir, eu me permiti ser livre das amarras que colocam pra gente seguir.

eu vivi.

a liberdade está nas pequenezas da vida que a gente, muitas vezes, só entende quando deixa passar. e a gente não precisa deixar passar. a liberdade acontece agora, enquanto escrevo esse texto, a liberdade acontece agora, enquanto você me lê. a liberdade é o que a gente ganha ao sentir. e eu, que sempre senti um tanto, te digo que de tanto em tanto a gente sente o mundo e percebe que, às vezes, a vida é só uma questão de perspectiva.

a vida é uma questão de perspectiva. e eu espero, de coração, que você escolha bem pra onde e como vai direcionar o seu olhar.

amor, cacá

passo a passo

eu sei que pode parecer estranho e eu sei que você pode não entender nada agora, mas, ó, escuta: volta pra você.

volta pra você!

volta a descobrir os seus caminhos, volta a querer caminhar com os seus pés. volta a entender cada passo, volta a fazer, de cada passo, um motivo a mais pra sorrir, pra pensar, pra voar.

volta a voar! volta a acreditar nas suas asas, volta a pintá-las, volta a amar cada pedaço seu. volta, e volta de verdade, volta a se enxergar, volta a se encontrar, volta a se querer. por favor, volta a se querer, volta pra você.

eu sei que é difícil e eu sei que não dá pra simplesmente fazer acontecer. mas, quando a gente deixa de prestar atenção nos outros pra prestar atenção na gente, a gente entende que nem tudo que deu errado era pra dar certo, a gente entende que a gente moveu mares e mares pra realizar e, no fim, foi só uma chuva de verão que apareceu. e tudo bem. tudo bem porque nem sempre vai sair como a gente espera, só que, todos os dias, a gente vai ter pra onde voltar.

você é a sua casa, e isso eu já te disse, você é o seu lar. então, vai, volta pra você. volta a se entender, a se questionar, a se apaixonar.

você vai perceber que não importa onde e quando, o que importa é a estrada, é o que aparece pra nos guiar, é a luz que há aqui e aí dentro pronta pra iluminar tudo e muito mais.

tenta aproveitar o passo a passo pra depois pensar no que pode acontecer. tenta aproveitar você. só assim você vai sempre saber pra onde pode voltar.

amor, cacá

realidade

alguns dias vão ser mais difíceis do que outros, eu sei. e eu sei também que você vai pensar em desistir.

que você vai querer jogar tudo pro alto, vai achar que a dor nunca vai passar, vai implorar pra alguém arrancar teu coração fora.

vai querer que a tua mente pare de pensar, que a tua mão pare de bater, que a tua perna tenha vontade própria pra você poder levantar da cama em segurança. eu sei que vai ser complicado, que todo mundo vai falar pra você ter coragem, que vai te faltar medo pra ser transformado em desafio. acredita em mim, eu sei. e passa.

já te falei isso algumas vezes, né? que passa. é que passa mesmo. minha psicóloga, uma das pessoas mais incríveis que eu conheço, me falou isso com confiança outro dia. e eu, que tinha deixado de acreditar, confiei novamente no tempo, essa coisa bonita que nos faz caminhar, lutar, sonhar.

e foi aí que eu sonhei. eu sonhei com um dia sem dor, sem pensamentos tristes, sem momentos que me fizessem duvidar da minha existência. eu sonhei com a paz, com dias floridos, com instantes que me fizessem transbordar. sonhei com o mar, com as estrelas, com a lua que me guia e me ilumina até o sol chegar. e sonhei com o sol, meu astro rei, meu momento de energia, minha fonte de amor. e foi aqui, no amor, que eu entendi, que eu imaginei, que eu realizei.

a gente precisa emanar pro universo o que a gente quer conquistar. precisamos sonhar com o nosso hoje pra gente realizar o nosso agora, pra gente ir além em confiança, pra, de olhos abertos, a gente sorrir pra tudo o que fez, um dia, a gente chorar.

a gente precisa entender que nem sempre vai dar certo, só que a gente precisa acreditar no tempo. e a gente precisa viver, a gente precisa cultivar, a gente precisa conquistar – a vida, o segundo, o passar.

alguns dias vão ser mais difíceis do que outros, eu sei, mas tenta mentalizar a bondade que há aí dentro, a certeza da sua alegria, a sua felicidade em harmonia com a tristeza. tenta visualizar o que você quer sentir, daí, pra ser inteiramente a pessoa que faz tudo acontecer: você.

você é capaz de sonhar a sua realidade. confia, tá?

amor, cacá

ei, outubro!

eu quero te pedir tanta coisa…

quero te pedir pra ser leve e especial, do jeito que tiver que ser. quero te pedir pra me ajudar a crescer, pra me ajudar a continuar, pra me ajudar a ser positiva e a pensar, sobretudo, em mim. eu quero que você me ajude a pensar em mim, outubro, mas também quero que você me ajude a pensar nas pessoas. é que você é o mês das trocas, né, do amor, e eu quero que você me ajude a ser e a transmitir amor. e amar, amar, amar.

outubro, se não for pedir muito, eu quero que você me deixe voar. quero que você me auxilie com as minhas asas, que você as solte pra encantar, que você me segure se, em algum instante, eu cair. e, sabe, outubro, eu espero cair. porque eu quero que você me traga aprendizado, e de nada adianta aprender sem chorar. às vezes, a gente precisa cair pra se levantar. e tudo bem!

não sei, outubro, só que eu espero que você seja bonito, alegre, florido. que você floreie as manhãs, que você dê cor pros momentos, que você saboreie os instantes e os pinte com a sua aquarela. eu espero que você seja arco-íris, outubro. e mais, muito mais.

se em algum segundo meu sorriso falhar, outubro, eu quero que você me mostre a saída, que você me diga que vai dar certo, que você que faça acreditar. eu quero que você me faça acreditar no que eu posso conquistar, outubro. e, também, que todo mundo possa, todos os dias, confiar pra realizar, caminhar, sonhar.

ah, outubro, eu quero que você me surpreenda, de verdade, pra que eu aprenda mais a cada etapa, pra que eu viva mais a cada risada, pra que eu, sonhadora que sou, imagine mais e mais, sempre, tendendo a, a cada hora, agradecer.

obrigada por estar aqui, outubro. você já é infinito. vamos, juntos, brilhar?

amor, cacá